quarta-feira, 28 de novembro de 2012

"O Solitário" (Rainer Maria Rilke)


            Rainer Maria Rilke


O Solitário

Não: uma torre se erguerá do fundo
do coração e eu estarei à borda
onde não há mais nada ainda acorda
o indizível, a dor, de novo o mundo.

Ainda uma coisa, só, no imenso mar
das coisas, e uma luz depois do escuro,
um rosto extremo do desejo obscuro
exilado em um nunca-apaziguar.

ainda um rosto de pedra, que só sente
a gravidade interna, de tão denso:
as distâncias que o extinguem lentamente
tornam seu júbilo ainda mais intenso.

(tradução: Augusto de Campos)