quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Hannah Arendt: a filósofa como poeta

Hannah Arendt: a filósofa como poeta
Hannah Arendt: a filósofa como poeta

Hannah Arendt: a filósofa como poeta

Hannah Arendt é mais conhecida como pensadora, analista privilegiada do totalitarismo, e, infelizmente, como a amante judia de Heidegger (“filósofo para filósofos”). Mas era também poeta
A faceta da judia Hannah Arendt filósofa quase militante — dotada de uma coragem intelectual excepcional, mesmo quando enfrentava o reducionismo e o vitimismo do establishment judaico — é por demais conhecida. Nascida em 1906 e falecida em 1975, é frequentemente citada em livros e reportagens e artigos de jornais de todo o mundo tal a vitalidade de suas ideias. Afirma-se que algumas de suas ideias são insight não desenvolvidos — e seu livro clássico, “Origens do Totalitarismo”, mereceu críticas de vários autores, como os judeus Bruno Bettelheim, psicanalista, e Raul Hilberg, historiador. Nos últimos tempos, nos quais dinheiro compra até amor verdadeiro, tem sido mencionada, com constância excessiva, por sua paixão pelo filósofo Martin Heidegger. Num de seus livros, “Homens em Tempos Sombrios” (Companhia das Letras, 256 páginas, tradução de Denise Bottmann), escreveu um ensaio sobre Heidegger apresentando-o como uma espécie de “último romântico”. Trata-se de uma “defesa” relativamente sutil, porque Heidegger encantou-se pelas “ideias” do nazista Adolf Hitler. Mas há uma Hannah Arendt pouco conhecida e nada divulgada — a poeta.
Como poeta, Hannah Arendt não era uma gigante, ao contrário dos seus adorados Rilke e Auden, mas não era medíocre. As poesias publicadas nesta edição foram extraídas da melhor biografia de Arendt em português: “Hannah Arendt — Por Amor ao Mundo” (Editora Relume-Dumará, 492 páginas), de Elizabeth Young-Bruehl. A tradução é de Antônio Trânsito (revisada por Ari Roitman e revisão técnica de Eduardo Jardim de Moraes). Evidentemente, a filósofa sabia que não era uma poeta do porte de Goethe, Heine, Rilke, Auden e T. S. Eliot, mas as poesias, ainda que por vezes exibam certa secura e a autora mostre apenas razoável capacidade no manejo das palavras, têm certa qualidade, sobretudo por seu caráter, digamos, histórico e filosófico. Ela escreveu, por exemplo, uma poesia sobre Walter Benjamin. Alguns poemas, é verdade, parecem ter sido escritos por uma colegial, mas, aqui e ali, a força filosófica do pensamento de Arendt injeta qualidade e vitalidade onde falta poesia. “A tristeza é como uma luz que arde no coração/A escuridão é uma brasa que vasculha nossa noite” — um dos bons momentos de sua poesia.
Arendt amava poesia, inclusive as do “stalinista” alemão Beltolt Brecht, que perdoava, como a Heidegger, pelo seu enorme talento. Ela lia o escritor americano William Faulkner, por exemplo, e adorava uma de suas frases (Arendt adorava citações, como Karl Marx): “O passado nunca está morto, e nem mesmo é passado”. No livro, embora não tenha a ver com o assunto exposto aqui, que é poesia, há um trecho surpreendente, uma revelação de Arendt ao seu admirado Jaspers: “A tentativa malsucedida de [de Theodor W. Adordo] de colaboração [com o nazismo] em 1933 foi exposta no jornal estudantil de Frankfurt, ‘Discus’. Ele respondeu com uma carta indescritivelmente lamentável, que não obstante deixou uma forte impressão nos alemães. A verdadeira infâmia do assunto foi que ele, meio-judeu (por lei), deu esse passo sem informar seus amigos. Ele tivera esperanças de se safar com o nome da família italiana de sua mãe” (aqui se encerra o texto de Arendt; o trecho a seguir, sem aspas, é da biógrafa), Adorno, ao invés do nome mais obviamente judeu de seu pai, Wiesengrund (página 109).

Cansaço

Tarde caindo —
Um suave lamento
soa nos pios dos pássaros
que convoquei.
Muros cinzentos
desmoronam.
Minhas próprias mãos
encontram-se novamente.
O que amei
não posso manter.
O que me cerca
não posso deixar.
Tudo declina
enquanto cresce a escuridão.
Não me domina —
deve ser o curso da vida.
(Cansaço foi escrito quando Hannah Arendt tinha 17 anos.)

— o —

Perdida em autocontemplação
Quando olho minha mão —
Estranha coisa me acompanhando —
Estou então em nenhuma terra,
Por nenhum Aqui e Agora,
Por nenhum Que apoiada.
Então sinto que deveria desprezar o mundo.
Deixar o tempo passar se ele quiser
Mas não deixar que haja mais sinais.
Olhe, aqui está minha mão,
Minha e estranhamente próxima,
Mas ainda — uma outra coisa.
Será mais do que sou?
Terá um propósito mais alto?
(Ao escrever este poema, Arendt já estava envolvida, emocionalmente, com Heidegger)

— o —

Por que você dá sua mão
Envergonhado, como se fosse um segredo?
Você é de uma terra tão distante
Que não conhece o nosso vinho?
(Poema sobre seu complicado relacionamento com Heidegger, que era casado)

Canção de verão

Através da abundância que amadurece no verão
Eu irei — e deslizarei minhas mãos,
Estenderei meus membros doloridos pa­ra baixo,
Em direção à terra escura e pesada.
Os campos que se inclinam e sussurram,
As trilhas nas profundezas da floresta,
Tudo exige um estrito silêncio:
Que possamos amar embora soframos;
Que nosso dar e nosso receber
Possam não contrair as mãos do sacerdote;
Que em quietude clara e nobre
Possa a alegria não morrer para nós.
As águas de verão transbordam,
O cansaço ameaça destruir-nos.
E perdemos nossa vida
Se amamos, se vivemos.
(Sobre este poema, escreve Elizabeth Young-Bruehl: [Arendt] “Ainda se sentia presa no dilema de um amor ilícito e impossível, que nunca iria ‘contrair as mãos dos sacerdotes’, mas estava determinada a manter viva a alegria que ele lhe trouxera”. O amor era Heidegger)

— o —

A noite me envolveu
Macia como o veludo, pesada como a tristeza.
Não conheço mais a sensação do amor
Não conheço mais os campos a brilhar,
E tudo quer fugir de mim —
Simplesmente para dar-me paz.
Penso nele e no amor —
Como se estivessem num país distante;
E o “vir e dar” seja estranho:
Eu mal sei o que me ata.
A noite me envolveu
Macia como o veludo, pesada como a tristeza.
Em parte alguma há uma rebelião surgindo
Na direção de nova alegria e tristeza.
E a distância que chamou para mim,
Todos os ontens tão claros e profundos,
Eles não mais estão me distraindo.
Conheço uma água grande e estranha
E uma flor a quem ninguém dá nome.
O que pode destruir-me agora?
A noite me envolveu
Macia como o veludo, pesada como a tristeza.
(Este é, na opinião de Elizabeth Young-Bruehl, um dos melhores poemas de Arendt. A biógrafa escreve: “Nesse poema, Hannah Arendt procurou alcançar aquele reino em que os poetas românticos alemães haviam descoberto coisas tais como a ‘flor azul’ inominável e vários mares não mapeados — uma paisagem de outro mundo e outra transcendência”.)

— o —

Consoladora, inclina-te suavemente para o meu coração.
Dá-se, silenciosa, alívio para a dor.
Coloca tua sombra sobre tudo por demais
brilhante —
Dá-me a exaustão, cobre o brilho.
Deixa-me teu silêncio, teu abrandamento refrescante.
Deixa-me embrulhar em tua escuridão tudo o que é mau.
Quando a claridade doer com novas visões
Dá-me a força para seguir adiante com
firmeza.

— o —

Não chore pela suave tristeza
Quando o olhar de quem não tem lar
Ainda o corteja envergonhado.
Sinta como a história mais pura
Ainda oculta tudo.
Sinta o movimento mais tenro
De gratidão e fidelidade.
E você saberá: sempre,
O amor renovado será dado.
(Nesse poema, Hannah Arendt “conversa” com seus amigos, como se eles fossem entender sua “devoção a alguém sem igual”, ou seja, Heidegger.)

W. B.

O crepúsculo voltará algum dia.
A noite descerá das estrelas.
Repousaremos nossos braços estendidos
Nas proximidades, nas distâncias.
Da escuridão soam suavemente
pequenas melodias arcaicas. Ouvindo,
vamos desapegar-nos,
vamos finalmente romper as fileiras.
Vozes distantes, tristezas próximas.
Essas são as vozes e esses os mortos
a quem enviamos como mensageiros
na frente, para levar-nos à sonolência.
(W. B. significa Walter Benjamin. Ao saber que o amigo havia se matado, ao fugir da perseguição nazista, Arendt transformou seu lamento num poema.)

— o —

Elas surgiram do lago estagnado do passado —
Essas muitas memórias.
Figuras enevoadas arrastaram os círculos ansiosos de meu encadeamento
Atrás de si, sedutoras, ao seu objetivo.
Mortos, o que quereis? Não tendes lar ou família em Orcus?
Finalmente a paz das profundezas?
Água e terra, fogo e ar, são vossos servidores como se um deus,
Poderosamente, vos possuísse. E vos convocaram
Das águas estagnadas, pântanos, charnecas e açudes,
Reuniram-vos, unificados, juntos.
Brilhando no crepúsculo cobris o reino dos vivos com neblina,
zombando do “não mais” que escurece.
Nós fomos brindar, abraçar-nos e rir, e relembrar
Sonhos de tempos passados.
Nós, também, nos cansamos de ruas, cidades, das rápidas
mudanças de solidão.
Por entre os barcos a remo com seus pares amorosos, como jóias
Em lagos nas florestas,
Nós, também, poderíamos fundir-nos quietamente, ocultos e envoltos nas
Nuvens indistintas que breve
Vestirão a terra, as margens, o arbusto e a árvore,
Esperando a tempestade.
Esperando — fora da neblina, do castelo de nuvens, loucura e sonho —
A tempestade que se eleva e se retorce.
(Poema escrito em 1943, nos Estados Unidos. Arendt acompanhava os acontecimentos da Europa com atenção e desfrutava de um pouco de paz.)

— o —

A tristeza é como uma luz que arde no coração
A escuridão é uma brasa que vasculha nossa noite.
Precisamos apenas acender a pequena chama triste
Para encontrar o caminho de casa, como sombras, através da
longa, vasta noite.
A floresta, a cidade, a rua, a árvore, são
luminosos.
Feliz é aquele que não tem lar; ele ainda o vê
em seus sonhos.
(Arendt “ansiava pelo mundo perdido, a Europa”, diz sua biógrafa. No poema acima, de 1946, há uma referência a um poema de Rilke, no qual escreve “feliz daquele que tem um lar”. Arendt está longe de seu lar, a Alemanha. Mas depois adaptou-se aos Estados Unidos.)

— o —

A terra poeteia, de campo a campo,
com árvores interlineares, e deixa
que teçamos nossos próprios caminhos ao redor
da terra arada, para o mundo.
Flores rejubilam-se ao vento,
a grama estende-se macia para acolhê-las.
O céu se torna azul e saúda suavemente
as macias cadeias que o sol teceu.
As pessoas passam, ninguém está perdido —
terra, céu, luz e florestas —
brincam na brincadeira do Todo-Poderoso.

O amor é uma poderosa força antipolítica

“O amor, em virtude de sua paixão, destrói o ‘entre’, esse espaço que nos relaciona com outros e nos separa deles. Enquanto dura seu encanto, o único ‘entre’ que pode inserir-se no meio de dois amantes é a criança, o próprio produto do amor. A criança, esse ‘entre’ com que os amantes agora estão relacionados e mantêm em comum, é representativa do mundo onde ela também os separa; é uma indicação de que eles inserirão um novo mundo no mundo existente. Por meio da criança, é como se os amantes retornassem ao mundo do qual seu amor os expeliu. Mas essa nova mundanidade, resultado e único final possíveis de um caso de amor, é, num certo sentido, o final de um amor, que deve superar novamente os padrões ou ser transformado em outro modo de estar juntos. O amor por sua natureza não é mundano, e é por isso — não por raridade — que é não apenas apolítico, mas antipolítico, talvez a mais poderosa de todas as forças antipolíticas humanas.”
(Trecho de “A Con­dição Hu­mana”, de Hannah Arendt)

Originalmente publicado em: www.revistabula.com

A crise da Linguagem (por Simone Nardi Grama)

POR SIMONE DE NARDI GRAMA*


Investigar a linguagem, e sua "crise", é um dos desafios mais intrincados para os pensadores. Conheça a visão de três grandes autores sobre o assunto


Platão, Sócrates, Crátilo e tantos outros já se debruçaram sobre a investigação da linguagem, sobre a significação dos nomes e sobre a relação entre a linguagem e o ser. Os sofistas fizeram uso hábil da linguagem, transformando o que poderia ser "falso", em "real". A Filosofia faz uso da linguagem para buscar o conhecimento, e vamos tentar identificar o que levou a linguagem a entrar em crise, se ela mesma por não conseguir expressar o mundo em palavras, ou se o ser humano a fez entrar em crise por fazer um uso degenerado das palavras com as quais ela nos serve.

COMMONS
 
Qual seria efetivamente a relação do ser humano com a linguagem, essa nunca foi uma pergunta nova, contudo, essa questão foi um dos temas que chamou a atenção de Mauthner que como muitos outros filósofos, tentou buscar na essência da linguagem a solução para o problema que se apresentava. Realmente seriam as palavras capazes de expressar a beleza da vida, a concepção humana de mundo?Estaria ela limitada e se estivesse, quais seriam seus limites e qual o papel que ela desempenha? Para responder a essas questões Mauthner vai examinar a linguagem em si, não as linguagens dos povos, mas a Linguagem, aquilo ao qual ele poderia chamar de essência da linguagem. Em sua crítica, ele não deseja separar ou diferenciar, como fez Kant, pois para ele isso seria uma mera observação da linguagem e não é essa sua intenção, ele deseja buscar uma visão mais clara, ou seja, a essência da linguagem em si. Suas reflexões visam demonstrar que a linguagem nada mais é do que uma grande ilusão, uma abstração, para isso ele vai demolir essas ilusões, revelando assim a verdadeira face da linguagem.

Mauthner
Fritz Mauthner (1849- 1923) foi um filósofo, novelista, crítico teatral e ensaísta austro-húngaro, especializado em filosofia da linguagem.

Nossas convenções
Hermógenes defendia uma visão convencionalista, que defendia que os nomes eram escolhidos por uma convenção, não podendo, portanto , existir nomes falsos, aqui na crise da linguagem, como também o fará Kraus, veremos que muitas vezes ela é usada conforme o desejo humano, por uma convenção que possa beneficiar algumas classes.


Segundo podemos encontrar no texto " A crise da Linguagem na Viena Fin-De-Siécle", para Mauthner a linguagem está subordinada aos nossos hábitos e as nossas convenções, não tento por isso, elementos universais, por isso a ausência da unidade e a variação no significado das palavras. Mauthner nos diz então, que devido a tudo isso, a linguagem não possui uma essência, sendo apenas um apanhado de convenções que, apesar de precárias, desempenham de forma eficiente, seu papel dentro da sociedade, sendo que tais convenções ocorrem exatamente por causa do "papel vil", entre as relações humanas, reduzindo a linguagem ao uso que fazemos dela que pode ser Bom ou Mau. Mauthner propõe então o suicídio da linguagem, sua desconstrução, insinuando o ingresso da filosofia no reino do silêncio, pois para ele apenas entre os incultos existe uma linguagem sã, enquanto que, no seio intelectual e artístico, evidenciava-se o uso vazio da linguagem. Mauthner propõe também o silêncio para alcançar o mítico,de forma a se alcançar uma vida harmoniosa com o mundo, ou seja, o silêncio faria com que o homem se harmonizasse novamente consigo mesmo e com o mundo que o rodeia.

Hofmannsthal também se debruçou sobre o problema da linguagem. Assim como Mauthner, Hofmannsthal acreditava que a linguagem era solidão, sobretudo porque sentia-se mal ao dizer palavras como "alma", espírito" ou "corpo", certos diálogos o deixavam furioso e lhe pareciam sobretudo falsos, o que o fazia sentir-se amargamente solitário, para ele as palavras eram estéreis, destituídas de um sentido e lhe traziam imobilidade, afastando-o e anulando-o frente ao mundo. Assim como Mauthner, Hofmannsthal apelou ao místico, buscou uma ligação mais forte com o mundo pautada apenas nos sentidos, buscando como Mauthner, o reino do silêncio, onde para ele a Vida sim se revelava com sua verdadeira linguagem. Assim ele coloca que a crise da linguagem ocorre porque ela não possui uma capacidade eficiente, para a expressar a Vida em palavras. Como Mauthner, Hofmannsthal acusa a linguagem de ser incapaz de demonstrar o mundo, por ser restrita e limitada.

KRAUS: DEGENERAÇÃO DA CULTURA, DEGENERAÇÃO DA LINGUAGEM
Karl Kraus, ao contrário de Mauthner e Hofmannsthal, dirige ao ser humano, a culpa pela crise da linguagem. A degeneração da cultura vienense para ele, causou também a degeneração da linguagem, que foi asfixiada pelo mau uso que fizeram dela, sobretudo artistas e jornalistas. Devemos lembrar que Hofmannsthal, embora tenha rompido com sua veia poética, escrevia peças de óperas. Kraus concordava com Mauthnner ao dizer que o povo humilde é que conhecia a verdadeira linguagem, porém para Kraus, isso vinha sendo tirado pelo mau uso dela em folhetins, e a crise da linguagem ocorreu exatamente com a relação de mau uso da imprensa no uso da língua, foi esse uso degenerado da imprensa que destruiu a linguagem. Ao contrário de Mautner e Hofmannsthal, Karl Kraus não acreditava que a linguagem em si fosse o problema, não acreditava que fosse incapaz de demonstrar o mundo em palavras , nem por isso inconsistente, sua corrupção ocorreu com a morte da cultura, onde para ele, a imprensa teve enorme influência. Era, na opinião de Kraus, a imprensa quem fornecia novas práticas e novos valores sociais a cultura vienense, era ela quem os manipulava e conduzia para onde bem entendesse e desejasse. O jornal possuía poder, e seu poder se espalhava por todas as classes, construindo aos poucos a opinião pública, produzindo um novo paradigma, uma nova cultura, através de interesses, puramente financeiros de quem pudesse pagar mais. "Ela tornou-se a principal responsável pela redução da palavra escrita a um envelope conveniente para uma opinião"( "A crise da Linguagem na Viena Fin-De-Siécle")

Mauthner
Fritz Mauthner (1849-1923) foi um filósofo, novelista, crítico teatral e ensaísta austro-húngaro, especializado em filosofia da linguagem.
Nossas convenções
Hermógenes defendia uma visão convencionalista, que defendia que os nomes eram escolhidos por uma convenção, não podendo, portanto , existir nomes falsos, aqui na crise da linguagem, como também o fará Kraus, veremos que muitas vezes ela é usada conforme o desejo humano, por uma convenção que possa beneficiar algumas classes.


A linguagem usada nos folhetins era ornamentada, maquiada, nada mais era do que uma linguagem estéril, coberta de más intenções e que possuía, simplesmente, a função de moldar opiniões, o que foi destruindo assim, a cultura vienense e destruindo, distorcendo por assim dizer a essência da linguagem. Essa "morte da cultura" afastava mais e mais a sociedade do místico, do real, de si mesma e talvez um detalhe que Kraus tenha disto, e que nos remete aos dias atuais: "escrever com a linguagem ou escrever guiado pela linguagem?", o certo é que os folhetins vienenses escreviam com a linguagem, encobriam, enganavam e iniciavam, para Kraus, a crise da linguagem. Karl Kraus pede a revalorização da linguagem, a superação de sua crise através do envolvimento no "interior da linguagem", de sua lógica, à volta ao bom uso da palavra, o que havia sido, com certeza, esquecido pela cultura vienense.
COMMONS
Três pensadores, um só objetivo, desvendar o que levou a linguagem a uma crise, de um lado a acusação de Mauthner e Hofmannsthal a linguagem, como sendo ela uma mera ilusão, incapaz de definir o mundo em que vivemos, segundo eles, apenas no reino do silêncio, dos sentimentos, é que permaneceria a verdadeira linguagem, que não poderia ser descrita em palavras; esse retorno ao místico une Mauthner e Hofmannsthal, esse retorno ao mundo, a hora de aprender a calar, a silenciar, pois para eles não há um universal, não há uma essência que possa tornar a linguagem algo eficiente para demonstrar a vida, por isso a necessidade da destruição da linguagem e a busca pelo mundo interior. De outro lado Karl Kraus, que dirige a culpa pela crise da linguagem a própria sociedade, ao uso degenerativo que as pessoas fizeram das palavras, aos interesses financeiros que os conduziram e a degeneraram, ela sim uma vítima da incapacidade humana de comunicar-se, pede ele a revalorização da mesma, para que possa , a linguagem, sobreviver.
Será que a crise da linguagem foi realmente superada?Pela visão de Kraus, é possível dizer que não, pois hoje os folhetins foram substituídos pelos telejornais, pela internet que fazem a massificação da sociedade, e a leva a morte da cultura,esmagando sob seus pés a linguagem das palavras, tal como ocorreu em Viena, sinal de que talvez também estejamos, em nosso fim de século cultural, e que Como Mauthner e Hofmannsthal concluíram, talvez apenas no silêncio, o homem possa realmente encontrar a verdadeira linguagem.

Hofmannsthal
Um dos fundadores do Festival de Salzburgo, o escritor e dramaturgo austríaco Hugo Laurenz August Hofmann von Hofmannsthal (1874- 1929) foi um colaborador do compositor e maestro alemão Richard Strauss (1864-1949).

REFERÊNCIAS
PANSARELLI, Daniel (org.) Metafísica, Epistemologia e Linguagem. São Bernardo do Campo: Umesp, 2009.
SILVA, José Fernando da. "A crise da Linguagem na Viena Fin-De-Siécle". Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, 2008.
*Simone De Nardi Grama é graduada em Filosofia e especialista em Filosofia Contemporânea e História pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

Post publicado originalmente na Revista Filosofia online: conhecimentopratico.uol.com.br

domingo, 3 de janeiro de 2016

Citação do dia - Michel Foucault

Michel Foucault - filósofo francês

Não se deveria dizer que a alma é uma ilusão, ou um efeito ideológico, mas afirmar que ela existe, que tem uma realidade, que é produzida permanentemente, em torno, na superfície, no interior do corpo pelo funcionamento de um poder que se exerce sobre os que são punidos - de uma maneira mais geral sobre os que são vigiados, treinados e corrigidos, sobre os loucos, as crianças, os escolares, os colonizados, sobre os que são fixados a um aparelho de produção e controlados durante toda a existência (...) Esta alma real e incorpórea não é absolutamente substância; é o elemento onde se articulam os efeitos de um certo tipo de poder e a referência de um saber, a engrenagem pela qual as relações de poder dão lugar a um saber possível e o saber reconduz e reforça os efeitos de poder. Sobre essa realidade-referência, vários conceitos foram construídos e campos de análise foram demarcados: psique, subjetividade, personalidade, consciência, etc.; sobre ela técnicas e discursos científicos foram edificados; a partir dela, valorizaram-se as reivindicações morais do humanismo. Mas não devemos nos enganar: a alma, ilusão dos teólogos, não foi substituída por um homem real, objeto de saber, de reflexão filosófica ou de intervenção técnica. O homem de que nos falam e que nos convidam a liberar já é em si mesmo o efeito de uma sujeição bem mais profunda do que ele. Uma "alma" o habita e o leva à existência, que é ela mesma uma peça no domínio exercido pelo poder sobre o corpo. A alma, efeito e instrumento de uma anatomia política; a alma, prisão do corpo. (FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 1987, pp. 31-32)

domingo, 20 de dezembro de 2015

Phrase du Jour - Gilbert Simondon

“La plus forte cause d'aliénation dans le monde contemporain réside dans cette méconnaissance de la machine, qui n'est pas une aliénation causée par la machine, mais par la non connaissance de sa nature et de son essence”

 Gilbert Simondon “Du mode d'existence des objets techniques” (1958)

sábado, 19 de dezembro de 2015

L'œuvre de Copernic enfin rééditée

Par Azar Khalatbari


L’œuvre de Copernic, qui a révolutionné les esprits au 16e siècle en plaçant le Soleil au centre du monde, vient pour la première fois d’être entièrement traduite et commentée.

Le système solaire de Copernic (1473-1543) © DRLe système solaire de Copernic (1473-1543) © DR
RÉVOLUTION. C’est un travail de près de trente ans qui vient d’aboutir, rassemblant les efforts de sept spécialistes. Sous la direction de trois astronomes de l’Observatoire de Paris (Michel Lerner, Alain Segonds - aujourd’hui décédé - et Jean-Pierre Verdet), une équipe de spécialistes (1) s'est lancée dans la traduction intégrale en français de De revolutionibus Orbium coelestium(Des Révolutions des orbes célestes)ce monument de la pensée humaine publié pour la première fois en 1543 à Nuremberg (Allemagne). Avec le texte latin en regard. Il n’en existait jusqu'alors qu’une traduction partielle réalisée en 1934 par le philosophe et épistémologue Alexandre Koyré, décédé en 1964. La dernière édition remontant à 1998 est aujourd’hui épuisée.

La Terre n'est plus au centre du monde

Pour comprendre l'importance de cet ouvrage, il faut rappeler que, durant  14 siècles, notre vision du monde était celle du savant grec Claude Ptolémée, ayant vécu au IIe siècle à Alexandrie : s’appuyant sur la physique d’Aristote (4e siècle avant notre ère), celui-ci expliquait le monde sous forme de sphères concentriques autour de la Terre. C’est à partir de cette représentation « géocentrique » que les astrologues ont rendu compte de l’apparence du ciel, de la ronde des "astres errants" –  ainsi que les planètes étaient nommées - et de la position des étoiles.  Copernic a délogé la Terre de cette place centrale au profit du Soleil. L’"héliocentrisme" représente le Soleil au centre du monde et la Terre, comme les autres planètes, en orbite autour de lui. Il  a permis d’expliquer de nombreux phénomènes célestes et d'ouvrir la voie à Galilée, Kepler et Newton, qui ont jeté les bases de la science moderne. Mais cette vision ne s'est pas imposée sans drames ! Que la Terre ne soit plus au centre du monde a en effet déclenché les foudres de l’église, entraînant une mise à l’index du livre qui a été maintenue jusqu’à 1835, soit près de trois siècles après la mort de Copernic.
(1) Conchetta Luna, philologue à l’Ecole Normale Supérieure de Pise (Italie), Isabelle Pantin de l’ENS à Paris, Denis Savoie, historien de l’astronomie et Michel Toulemonde, physicien de l’Observatoire qui a refait l’ensemble des calculs entrepris au 16e siècle par Nicholas Copernic.
Matéria extraída do site: Sciences et Avenir

10 FILMES EXISTENCIALISTAS QUE VOCÊ PRECISA ASSISTIR

Por Philippe Torres


O existencialismo é uma escola filosófica que partilha a crença em que o pensamento filosófico está diretamente ligado ao sujeito humano, não apenas pensante, mas sua vivência como indivíduo. Logo, a busca pela essência que da sentido a existência do Ser é estudada na corrente em questão. "A existência precede a essência" - Jean Paul Sartre. A existencia é o nada, nossa condição como tal é parte dos nossos encontros com o mundo que formarão nosso consciente. Vejamos alguns filmes que buscarão essa essência, o sentido existencial:


- O Espelho





Direção: Andrei Tarkovsky
Ano: 1975
País: Rússia

Um homem em seus últimos dias de vida relembra o passado. Entre as memórias pessoais da infância e adolescência, da mãe, da Segunda Guerra Mundial e de um doloroso divórcio, estão também momentos que contam a história da Rússia numa mistura de flashbacks, tomadas históricas e poesia original.

- A Vaca



Direção: Dariush Mehrjui 
Ano: 1969
País: Irã

Baseado em peça de Gholam-Hossein Saedi, que também contribuiu no roteiro. A Vaca é a história de Masht Hassan, orgulhoso proprietário da única vaca existente em uma aldeia pobre. Um dia, quando ele viaja a negócios, a vaca morre inesperadamente. Ao invéz de contar a verdade, os outros aldeões decidem dizer que o animal simplesmente se perdeu. Com tanto de sua identidade e de seu status relacionados à vaca, Hassan fica cada vez mais obcecado com a busca, ao ponto de enlouquecer. Financiado grande parte pelo governo do Xá, as imagens do filme do interior do Irã e da pobreza deixaram tão ultrajados os produtores que eles obrigaram os cineastas a colocar uma observação de que os eventos retratados haviam ocorridos muito antes do atual regime.

- Alice nas Cidades



Direção: Wim Wenders
Ano: 1974
País: Alemanha

O jornalista alemão Philip Winter adquire a fobia de bloqueio de escritor ao tentar escrever um artigo sobre os Estados Unidos e, então, decide retornar à Alemanha. Ao registrar o vôo, encontra-se com uma mulher alemã e sua filha Alice, de nove anos, assim começando uma longa e duradoura amizade.

- Dupla Vida de Verónique



Direção: Krzysztof Kieslowski
Ano: 1991
País: Polônia

O filme abre com a história de Veronika, uma jovem polonesa com um talento absurdo para a música erudita. Sua voz é incomparável. Após conseguir entrar em uma escola de música, Veronika se apresenta pela primeira vez e morre, com um ataque cardíaco. Veronique é uma jovem francesa com um grande talento musical. Sua vida seguia bem até que ela sente como se estivesse só. Perde o interesse na música e acaba se relacionando um manipulador de fantoches, Alexandre Fabbri, que a conduz para uma espécie de conto da vida real.
A história é bastante simples: duas jovens, de mesma idade, que não se conhecem, que moram em países diferentes e que têm o mesmo gosto musical, mas que possuem uma ligação metafísica inexplicável. A simplicidade da trama é trabalhada pela direção magnífica de Kieslowski, que conta essa fábula através de imagens, sons, cores e gestos fabulosos.

- Sétimo Selo 



Direção: Ingmar Bergman
Ano: 1957
País: Suécia

Após dez anos, um cavaleiro (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.

- Blade Runner: O Caçador de Andróides



Direção: Ridley Scott
Ano: 1982
País: E.U.A

No início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los.

- Sob a Pele



Direção: Jonathan Glazer
Ano: 2013
País: E.U.A

Uma mulher misteriosa (Scarlett Johansson) seduz homens solitários na calada da noite, na Escócia, e com isso iniciará um processo de auto-descoberta.

- Viver



Direção: Akira Kurosawa
Ano: 1952
País: Japão

Burocrata de longa data, que não liga para nada que não o interessa, descobre que está com câncer. Decide, então, construir um playground em seu bairro, tentando descobrir um sentido para sua vida.

- Frances Ha



Direção: Noah Baumbach
Ano: 2013
País: E.U.A

Frances (Greta Gerwig) é a ambiciosa aprendiz de uma companhia de dança, que tem que se contentar com muito menos sucesso e reconhecimento do que ela gostaria. Mesmo assim, ela encara a vida de maneira leve e otimista. Esta fábula moderna explora temas como a juventude, a amizade, a luta de classes e o fracasso.

- Uma Galinha no Vento



Direção: Yasujiro Ozu
Ano: 1948
País: Japão

Uma Galinha no Vento conta a estória de Tokiko Amamiya, uma jovem dona-de-casa, que se prostituiu para poder pagar o tratamento médico do filho, que adoeceu. O marido de Tokiko descobre, e a partir daí começam os conflitos entre o casal.

Post originalmente publicado em: Cineplot

UNESCO hails philosophy as ‘force for individual and collective emancipation’

On World Day, UNESCO hails philosophy as ‘force for individual and collective emancipation’

Sculpture "The Thinker" by Auguste Rodin. World Philosophy Day takes place every November. Photo: Hans Andersen
19 November 2015 – Marking World Philosophy Day, the head of the United Nations Organization for Education, Science and Culture (UNESCO) has stressed that sustainability calls for new ways of thinking about ourselves and the planet and as such, “philosophy and all the humanities will be essential.”
“The conviction that philosophy can make an essential contribution to human well-being, to addressing complexity, to advancing peace stands at the heart of World Philosophy Day,” UNESCO’s Director-General, Irina Bokova, said in her message for this year’s celebration.
Ms. Bokova pointed out that UNESCO puts philosophy forward as a force for individual and collective emancipation: “For to think, while reflecting on what it is to think, is to philosophize, and all of us do it constantly, driven by the truest motor of all human ingenuity – wonder.”
World Philosophy Day has been observed every third Thursday of November since 2002. According to UNESCO, philosophy is dialogue of wonder, across the ages, with art and literature, in social debates, on political questions, practiced by all, without specialized training, far beyond the classroom.
“We must raise the flag for philosophy as high as possible, to engage every woman and man, and especially every girl and boy. We need to share the wonder of philosophy more widely and differently,” the UNESCO chief said.
Ms. Bokova also noted that the agency was continuing its long-standing cooperation with the networks of philosophy teachers. “We are working to make philosophy, the most ancient of disciplines, reach broader audiences thanks to cutting-edge technologies,” she said. “For instance, through online teaching tools based on the 2015 UNESCO South-South Philosophical Manual.”
According to UNESCO, all activities celebrating this year's World Philosophy Day will emphasize the use of new communication technologies to engage global audiences. To celebrate the Day, many events will be hold in Paris, where UNESCO is headquartered, as well as in Dakar, Brasilia, and a number of other cities on all continents.
The 2030 Agenda for Sustainable Development, agreed by UN Member States in September, created a new vision for people, prosperity, peace, and the planet for the next 15 years. Taking this to fruition, Ms. Bokova said, requires all the skills philosophy can hone, including rigour, creativity and critical thinking.
“Sustainability calls for new ways of thinking about ourselves and the planet. It requires new ways of acting, producing and behaving. Here again, philosophy and all the humanities will be essential,” she added.
Originalmente publicado em: UN News Centre

Functionalism in Philosophy of the Mind

Dollarphotoclub_83411215.jpg
Yesterday I discussed John Searle's Chinese Room argument, which denies that computers are capable of thought, and that computer functionalism is a valid description of the mind ("Is Your Brain a Computer?"). Readers may be interested to read a little more about the idea of functionalism.
With the eclipse of behaviorism and identity theory in philosophy of the mind, functionalism has become perhaps the dominant perspective in philosophy of the mind for philosophers and neuroscientists with a materialist perspective. Functionalism is the view that mental states are constituted entirely by their functional roles, rather than by their strict behavioral consequences, or by their physical correlates, or by their immaterial natures.
For example, a functionalist would define the mental state of experiencing pain as the functional connection between the inflammation of the nerve in your tooth and your moaning that your tooth hurts. A functionalist would define the mental state of believing that it's raining as the connection between your perception that it's raining outside and your act of unfolding your umbrella.
The functionalist perspective is often expressed by quip, "The mind is what the brain does."
Because in functionalism mental states are functional relationships between physical events, inherent to most variants of functionalism is the theory of multiple realizability. Multiple realizability is the idea that mental states can arise in any system that carries out certain functions, whether or not the system is biological. Multiple realizability posits, for example, the computers can have mental states if functional relationships between electromechanical events in computers are sufficiently similar to functional relationships between electrochemical events in brains.
For example, if the electrical output of a neural network is similar in relevant ways (e.g. voltage, current, frequency, etc.) to the electrical output of the circuit in a computer, the computer will have the same mental state as the person with a neural network in his brain. Multiple realizability is the idea that any system, with the proper functional relationships, can have mental states regardless of the physical material out of which the system is made. Multiple realizability is the metaphysical basis for the theory of strong artificial intelligence.
Functionalism has gained popularity in the largely materialist philosophical community, as well as among neuroscientists who are mostly materialists, for several reasons.
First, it provides a means by which people who argue from a materialist perspective can evade the deep problems associated with behaviorism and identity theory that dominated materialist philosophy in the early and mid 20thcentury. Behaviorism has more or less disappeared as a credible approach to the understanding of the mind, and identity theory has been largely abandoned as well due to profound logical difficulties with the assertion that mental states are identical to brain states. Functionalism evades these notorious problems.
The second reason for functionalism's modern popularity is its obvious analogy to computer science. From the functionalist perspective, the mind is to the brain as software is to hardware. Computer functionalism, which is the moniker by which functionalist theories based on computation are known, is quite appealing because it provides a basis for modeling the mind and brain activity as a kind of computation and it allows the substantial theoretical framework of computer science to be applied to cognitive neuroscience and cognitive psychology.
In computer functionalism, neural processes implement algorithms in the brain and this implementation is just what the mind is. Some neuro-philosophers, most notably Jerry Fodor, have proposed that human language is just a manifestation of the algorithms by which our brains function. This implies that there is a natural human "language of thought." Fodor has called this putative language of thought "Mentalese." This form of functionalism, which is quite popular today among philosophers, computer scientists, and neuroscientists, is sometimes called the computational/representational theory of thought.
Despite the attractiveness of functionalism and the attractiveness of the analogy between the mind and computation, there are serious problems with it as a theory of mind, as I noted yesterday and as I hope to discuss further.
Image: © denisismagilov / Dollar Photo Club.
Originalmente publicado em: Evolution news